JUSTIÇA ELEITORAL RASTREIA PÁGINAS ANÔNIMAS E DADOS CHEGAM A VEREADOR E SERVIDORES DA CÂMARA DE TEIXEIRA DE FREITAS
Registros apresentados à Justiça Eleitoral colocam o nome do vereador Marcelo Santos Teixeira no centro da apuração sobre páginas políticas que atuavam sem deixar claro ao público quem estava por trás delas
Quem estava por trás das páginas anônimas que movimentavam a política de Teixeira de Freitas? Depois de determinações da Justiça Eleitoral, essa pergunta começou a ganhar respostas. Dados entregues pelas operadoras de telefonia revelaram números de telefone, cadastros e registros de conexão ligados a perfis como PoliticadoTX, Oxe Teixeira e Zum Zum Zum Extremo Sul.

E entre os nomes que aparecem nos documentos está o do vereador Marcelo Santos Teixeira, além de servidores comissionados da própria Câmara Municipal.
As páginas ganharam espaço nas redes sociais com uma linha bastante conhecida pelos moradores: críticas e ataques frequentes ao prefeito Marcelo Belitardo, à gestão municipal e também à candidata a deputada estadual Penélope Belitardo. Ao mesmo tempo, publicavam conteúdos favoráveis a adversários políticos locais.
E ONDE ENTRA MARCELO TEIXEIRA?

É justamente aí que os dados apresentados à Justiça chamam atenção. No caso da página Zum Zum Zum Extremo Sul, registros de IP relacionados a postagens foram associados, segundo os documentos juntados aos processos, a dados cadastrais do vereador Marcelo Santos Teixeira.

Existe ainda outro ponto que precisa ser esclarecido. Gabriel Mariano, servidor comissionado da Câmara e pessoa que já foi citada pelo próprio Marcelo Teixeira como integrante de sua assessoria, apresentou-se formalmente à Justiça Eleitoral como responsável pelas páginas Oxe Teixeira e Zum Zum Zum Extremo Sul. Ou seja: enquanto Gabriel assume a responsabilidade pelo perfil, registros técnicos relacionados a postagens do Zum Zum Zum aparecem associados aos dados cadastrais do vereador.


Já o PoliticandoTX foi relacionado a Henrique Pereira, também servidor comissionado da Câmara. Segundo os dados fornecidos pelas operadoras, o perfil teria sido cadastrado utilizando seu número de telefone pessoal.
DE SECRETÁRIO DE BELITARDO A OPOSITOR E PRESIDENTE DE CPI
Marcelo Teixeira não é um personagem distante da gestão que hoje critica. O vereador já fez parte do governo Marcelo Belitardo e chegou a se licenciar da Câmara para assumir a Secretaria Municipal de Assistência Social, onde permaneceu entre 2021 e 2022.
Hoje o cenário é completamente diferente. Marcelo está na oposição, preside a CPI da Saúde e participa de outra comissão parlamentar que investiga a administração municipal. Fiscalizar o Executivo faz parte das atribuições de qualquer vereador. A pergunta levantada pelos novos registros é outra: existia, paralelamente à atuação oficial dentro da Câmara, alguma participação do parlamentar ou de pessoas ligadas ao Legislativo nessas páginas políticas?
PÁGINAS DIFERENTES, NOMES LIGADOS À POLÍTICA
É justamente o conjunto das informações que chama atenção. Não aparece apenas uma página. São diferentes perfis. E, quando o anonimato começa a ser quebrado, aparecem pessoas que trabalham ou atuam diretamente no meio político.
Por isso, a apuração agora precisa responder perguntas simples: essas páginas trabalhavam separadamente ou havia uma atuação coordenada? Quem produzia os conteúdos? Quem publicava? Quem administrava os perfis? E servidores pagos pela Câmara atuavam nessas páginas apenas fora do trabalho ou algum recurso público chegou a ser utilizado?
Nada disso deve ser antecipado como conclusão. São pontos que precisam ser esclarecidos pelas autoridades a partir das provas. Mas uma coisa mudou: aquilo que antes circulava apenas por trás de páginas sem autoria claramente apresentada ao público agora possui registros técnicos, telefones, dados cadastrais e nomes identificados nos processos.
O ANONIMATO COMEÇA A CAIR
Durante muito tempo, quem recebia essas publicações podia não saber quem estava do outro lado da tela. Com as determinações da Justiça Eleitoral e os dados fornecidos pelas operadoras, parte desse caminho começou a ser revelada.
Agora, caberá à Justiça e aos demais órgãos competentes esclarecer até onde vão essas conexões, se existia uma rede coordenada de comunicação política e qual foi, de fato, a participação de cada pessoa identificada nos autos.
